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| Ludwig Wittgenstein, 1945. |
“...Na linguagem onde vive, esta palavra é de fato sempre assim usada?”
Russell juntou-se a Husserl na denúncia do psicologismo que havia infectado a filosofia da matemática, e anunciou que a lógica era a
essência da filosofia. Levados pela necessidade de encontrar algo a respeito do que serem apodíticos, Russell descobriu a “forma lógica” e Husserl descobriu as essências, os aspectos “puramente formais” do mundo que permaneceram quando os não-formais foram “colocados entre parenteses”. A distinção entre o necessário e o contingente - revitalizada por Russell e o Círculo de Viena como a distinção entre o “verdadeiro em virtude de seu significado” e “verdadeiro em virtude da experiência” - havia geralmente passado aparentemente sem ser desafiada, e havia formado o último denominador comum da análise da “linguagem ideal” e da “linguagem ordinária”. Essas dúvidas só chegaram ao auge no início dos anos 1950, com o aparecimento de Philosophische Untersunchungen ou
Philosophical Investigations, como é o título de sua versão inglesa e publicado como o Tractatus, na edição bilingüe inglesa-alemã. Por quê?
Desde o Tractatus até seus últimos apontamentos sobre o problema da certeza, a obra de Wittgenstein pode
ser, sem dúvida, assimilada a uma meditação em espiral sobre o status teórico e epistemológico da filosofia em sua relação com a linguagem. E isto já se apresenta quando o próprio Wittgenstein afirma que teve “a oportunidade de reler seu primeiro livro e de esclarecer seus pensamentos ratificando seus velhos pensamento e os novos, pois estes poderiam ser verdadeiramente compreendidos por sua oposição ao seu velho modo de pensar, tendo-o, contudo como pano de fundo”. Esta questão aparece inicialmente quando ele retoma Santo Agostinho, nas Confissões afirmando que o filósofo descreve o aprendizado da língua humana, no exemplo de uma criança, como se a criança chegasse a um país estrangeiro e não compreendesse a língua desse país; isto é, como se ela já tivesse uma linguagem, só que não essa. Ou também: como se a criança já pudesse pensar, e apenas não pudesse falar. E “pensar” significaria aqui qualquer coisa como: falar consigo mesmo. Neste sentido, Wittgenstein é um meta-filósofo. Sua metafilosofia, não obstante, se resolve em uma “filosofia da linguagem”? Isto porque este pensador, em certo sentido, não teve que recorrer a uma reflexão metodológica acerca da linguística e menos ainda a uma teoria da linguagem em nenhum dos sentidos do termo “teoria” nem uma reelaboração de qualquer “ciência” da linguagem. Assim, ao identificar-se basicamente como uma prática de análise crítica cuja matéria não é outra que a própria filosofia enquanto condicionada por seu suporte - a linguagem -, a filosofia wittgensteniana detém um método de crítica analítica do mecanismo do discurso filosófico e protagoniza, a um tempo, uma das etapas mais características da “crise de identidade”, na falta de melhor expressão, da filosofia contemporânea. Melhor dizendo, de acordo com Michel de Certeau, “O que fascina na empreitada deste Hércules, faxineiro das estrebarias de Águias da intelectualidade contemporânea, não são em primeiro lugar os seus procedimentos de restrição, efeitos da exata paixão que ele coloca a serviço de um pudor na análise da linguagem ‘de cada dia’ (este everyday substituído graças ao enfoque linguístico pelo Everyman da ética renascente, mas portador da mesma questão); é, de modo mais fundamental, a maneira como, para retomar a sua expressão, Wittgenstein traça ‘do lado de dentro’ desta linguagem os limites daquilo que, ético ou místico, a ultrapassa. É exclusivamente do lado de dentro que ele reconhece um fora em si mesmo indizível. Seu trabalho efetua portanto uma dupla erosão: aquela que, de dentro da linguagem ordinária, mostra esses limites; aquela que denuncia o caráter irreceptível (o nonsense) de toda sentença que tenta uma saída para ‘aquilo que não se pode dizer’. A análise põe à mostra os vazios que minam a linguagem, e ela destrói os enunciados que pretendem preenchê-los. Ela trabalha com aquilo que mostra (zeigen) sem poder dizer (sagen)” (Certeau,1994:69).
De outra parte, se as Investigações Filosóficas que ocuparam seus “últimos dezesseis anos”, o que não é pouco, jogam um papel fundamental para o entendimento de representações e conceitos, moldando os conceitos de significação, de compreensão, de proposição, de lógica, aos fundamentos da matemática, aos estados de consciência, como consta em seu “Prefácio”, podemos inferir que a sociologia [do conhecimento] inspirada nestas páginas, consiste em adaptar, ou, às vezes, transpor indicações do modo de pensar, inicialmente relacionadas com as questões da linguagem para o plano da análise social. O instrumental sustentado nos conceitos de “jogos de linguagem”, “regras”, “significação”, “seguir regras”, “dar ordens”, “forma de vida” e tantos outros, sugerem possíveis aplicações no contexto da linguagem relativa à descrição das atividades sociais ou culturais constituindose primícias em relacionar a filosofia de Wittgenstein com a ciências sociais desde Peter Winch, Hanna Fenichel-Pitkin, Anthony Giddens, Derek Phillips, entre outros.
Não estamos longe de admitir que o conceito “seguir regras” (ou, “dar ordens”) que é uma expressão verbal indicativa de uma realização onde há uma diferença entre crer que se está seguindo uma regra e estar de fato seguindo-a foi magistralmente utilizado por Hannah Arendt, posto que, o segredo, também estudado pelo genial Simmel, tinha uma finalidade prática. Aqueles que eram informados explicitamente da ordem do Füher não eram mais ‘portadores de ordens’, mas progrediam ao grau de ‘portadores de segredos’ e tinham de fazer um juramento especial. Além disso, “toda correspondência referente ao assunto [extermínio físico de judeus] ficava sujeita a rígidas ‘regras de linguagem’, e, exceto nos relatórios dos Einsatzgruppen, é raro encontrar documentos em que ocorram palavras ousadas como ‘extermínio’, ‘eliminação’, ou ‘assassinato’. Os codinomes prescritos para o assassinato eram ‘solução final’, ‘evacuação’ (Aussiedlung), e ‘tratamento especial’ (Sonderbehandlung); a deportação - a menos que envolvesse judeus enviados para Theresienstadt, o ‘gueto dos velhos’ para judeus privilegiados, caso em que se usava ‘mudança de residência’ - recebia os nomes de ‘reassentamento’ (Umsiedlung) e ‘trabalho no Leste’ (Arbeitseinsatz im Osten), sendo que o uso destes últimos nomes prendiase ao fato de os judeus serem de fato muitas vezes reassentados temporariamente em guetos, onde certa porcentagem deles era temporariamente usada para trabalhos forçados” (Arendt,1999:100).
Esta estrutura se mostra, simplesmente, como repetimos na linguagem. E se mostra porque, a forma lógica da linguagem e do mundo é a mesma. Daí que Wittgenstein assinale a linguagem (a sua linguagem), constituída pela soma de todas as proposições verdadeiras, não é, em definitivo, senão a linguagem modelar da ciência. Porque como pode-se supor, essas proposições “significativas” e “verdadeiras” são as genuínas proposições científicas. Entre o Tractatus e as Investigações Filosóficas costuma-se situar, como vimos anteriormente, um hiato que alguns autores tem comparado, por exemplo, com o que a propósito de Nietzsche se abre entre O Nascimento da Tragédia e Humano demasiado Humano. Surge, em certo sentido, uma “descontinuidade” perfeitamente tipificada em certos pontos centrais, embora este hiato não impeça que a obra inteira de Wittgenstein perca sua unidade temática. Os grandes temas erigidos no Tractatus - a filosofia e a linguagem - dão coerência, por assim dizer a singular meditação dialógica de suas últimas décadas. É chato repetir que a invenção precisa uma grande margem de indefinição.
Sua filosofia é no essencial concebida como atividade crítico-analítica da linguagem. Só que a análise lingüística como condição de possibilidade da justa “visão de mundo” se centra na realização de um “programa terapêutico”1 5. Mediante a mera descrição da linguagem cotidiana em sua diversidade de funcionamento, dissolvem-se os (pseudo) problemas filosóficos recompondo a distorcida maquinaria lógicoformal da linguagem e retrocedendo as palavras de uso metafísico a seu uso cotidiano, ou, como afirma Certeau, “linguagem ordinária”, como veremos adiante. O “descricionismo” Wittgensteiniano procura, desta forma, um coerente e incisivo conjunto de apreciações acerca do fenômeno lingüístico entendido recorrentemente com o que costuma-se chamar ou qualificar de “teoria”. A palavra “teoria”, já contém na sua raiz uma imagem, pois, “teoria”, na sua etimologia, significa “vista”, que vem do grego theorein: “ver, olhar, contemplar ou mirar”.
Sabemos que Wittgenstein nas Investigações Filosóficas sustenta um método de crítica ao mecanismo do discurso, onde, segundo Certeau, “raras vezes a realidade da linguagem foi tão rigorosamente levada a sério”. Para Wittgenstein, não há um método da filosofia, mas sim métodos, como que diferentes terapias. Seu objetivo metodológico é demonstrar um “método por exemplos”.
Em verdade quer o autor, “estabelecer uma ordem no nosso conhecimento do uso da linguagem: uma ordem para uma finalidade determinada; uma ordem dentre as muitas possíveis; não a ordem. Com esta finalidade, salientaremos constantemente diferenças que nossas formas habituais de linguagem facilmente não deixam perceber. Isto poderia dar a aparência de que considerássemos como nossa tarefa reformar a linguagem. Mas esses não são os casos com quem temos algo a ver”(...) Uma tal reforma para determinadas finalidades práticas, o aperfeiçoamento da nossa terminologia para evitar mal-entendidos no uso prático, é bem possível. Mas esses não são os casos com que temos algo a ver. As confusões com as quais nos ocupamos nascem quando a linguagem, por assim dizer, caminha no vazio, não quando trabalha” (Wittgenstein,1979:57; 1987:264).
Em seu método, o pensamento, a linguagem, aparecem como o único correlato, a única imagem do mundo. Os conceitos: proposição (“as proposições são compostas de função e argumento”; “uma proposição é uma função das expressões nelas contidas”; “uma proposição é ‘logicamente articulada’; a “união proposicional” reside também nas proposições serem fatos”), linguagem (neste caso, “argumento da linguagem privada”, que quer referir-se à investigação da relação entre a “esfera mental” e o “comportamento”. Em termos estritos, referesse a uma linha argumentativa que discute a ideia de uma “linguagem privada”. Essa linguagem não é um código pessoal, nem tampouco uma linguagem utilizada somente em monólogos, e nem mesmo uma linguagem falada por uma só pessoa. Não se trata de uma linguagem que não é compartilhada por uma questão de fato, mas sim de uma linguagem que, por princípio, não pode ser compartilhada ou ensinada, dado que suas palavras referem-se ao que só pode ser conhecido pelo falante, a saber, suas experiências privadas imediatas. Por outro lado, o argumento da “linguagem privada” realmente pressupõe a discussão sobre o que é “seguir uma regra” (cf. nosso exemplo acima em Hannah Arendt). Uma discussão sobre a coerência da noção de “linguagem privada” pressupõe uma concepção de linguagem, e Wittgenstein considera a linguagem como uma atividade guiada por regras gramaticais), pensamento (Wittgenstein associa a noção de “pensar” à de comportamento potencial, em vez de associá-la a ocorrências mentais reais. Em algumas passagens de seus escritos, ele chega ao ponto de questionar se o pensar constitui uma atividade mental.
Neste sentido, o ataque de Wittgenstein à linguagem do pensamento ameaça um dos pilares da ciência cognitiva contemporânea), mundo (como o mundo é, quais são os fatos, são coisas que não podem ter valor algum, sendo parte do problema da vida, não da solução.
Wittgenstein nem desenvolve nem critica o misticismo.
Em contraposição, muitos de seus leitores sugerem, por exemplo, que há analogias entre a abordagem de Wittgenstein ao tema do místico e a prática Zen de agir com “a mente vazia”. Estes conceitos estão uns após
os outros numa série, cada um equivalente ao outro). Daí a interrogante: mas para que são usadas essas palavras? Falta o “jogo de linguagem” no qual devem ser empregadas. A partir daqui faremos ainda indicações metodológicas.
Ora, no pensamento, sua essência, a lógica representa uma ordem, e na verdade a ordem a priori do mundo, isto é, a ordem de possibilidades que deve ser comum ao mundo e ao pensamento. Esta ordem, porém, ao que parece, deve ser altamente simples, no sentido de que o emprego das palavras “linguagem”, “experiência”, “mundo”, se têm emprego, devem ser tão humilde quanto as palavras “mesa”, “lâmpada”, “porta”. Na praxis do uso da linguagem depreende-se que, do enunciado das palavras “receptor”, digamos assim, age de acordo com elas. No processo de aprendizagem o receptor nomeia os objetos. Mas também podemos imaginar que todo o processo de uso das palavras é um daqueles jogos por meio dos quais aprende-se uma língua, por exemplo, a materna. Esses jogos como também o conjunto da linguagem e das atividades com as quais está interligada, Wittgenstein denomina “jogos de linguagem”.
Para o autor, os claros e simples jogos de linguagem não são estudos preparatórios para uma futura regulamentação da linguagem, mas, “figuram muito mais como objetos de comparação que, através de semelhanças e dessemelhanças, devem lançar luz sobre as relações de nossa linguagem”.
Ipso facto é que existe uma relação entre nome e denominado. Esta relação pode, entre muitas outras coisas, também consistir no fato de que ouvir um nome evocamos a imagem do denominado, e consiste também no fato de que o nome está escrito sobre o denominado, ou em que o nome é pronunciado ao se apontar para o denominado.
“Mas o que denomina, por exemplo, a palavra ‘este’, no jogo de linguagem, ou a palavra ‘isto’ na elucidação ostensiva ‘isto se chama...?’ Se se quiser evitar confusão, é melhor não dizer que essas palavras denominam algo. E, estranhamente, já foi dito que a palavra ‘este’ é o nome específico. Tudo que chamamos sem mais de ‘nome’ é dito apenas num sentido inexato, aproximativo(...)
Esta rara concepção provém de uma tendência para sublimar a lógica de nossa linguagem - poder-se-ía dizer. A verdadeira resposta a isto é: chamamos de ‘nome’ coisas muito diferentes; a palavra ‘nome’ caracteriza muitas espécies diferentes de uso de uma palavra, aparentadas umas com as outras de modos diferentes; - mas entre essas espécies de uso não está o da palavra ‘este’” (Wittgenstein,1979:25-26; 1987:202).
Os jogos de linguagem de Wittgenstein possuem os seus próprios métodos de justificação, a sua peculiar verdade ou falsidade e os seus termos peculiares. Palavras têm sentido e podem ser usadas apenas como parte de um jogo de linguagem. Em suas palavras, “para uma compreensão por meio da linguagem, é preciso não apenas um acordo sobre as definições, mas (por estranho que pareça) um acordo sobre os juízos”.
Da mesma forma, há diferentes possibilidades no
jogo de linguagem, em diferentes casos, para os quais
diríamos que um signo denomina, no jogo, um quadrado
desta ou daquela cor. Se para identificarmos o que está
sendo nomeado de tal cor nos servimos de um modelo ou
de uma tabela, enquanto expressão de uma regra do jogo
de linguagem, então pode-se dizer que papéis muito
diferentes no jogo pode caber aquilo que chamamos de
regra de um jogo de linguagem.
Neste sentido,
“a regra pode ser um auxílio no ensino do
jogo. É comunicada aquele que aprende e
sua aplicação é exercitada. Ou é uma
ferramenta do próprio jogo. Ou: uma regra
não encontra emprego nem no ensino nem
no próprio jogo, nem está indicada num
catálogo das regras. Aprende-se o jogo
observando como os outros jogam. Mas
dizemos que se joga segundo esta ou aquela
regra, porque um observador pode ler essas
regras na praxis do jogo, como uma lei
natural que as jogadas seguem. - Mas
como observador distingue, nesse caso, entre
um erro de quem joga e uma jogada certa?
Há para isso indícios no comportamento
dos jogadores. Pense no comportamento
característico daquele que corrige um lapso.
Seria possível reconhecer que alguém faça
isso, mesmo que não comprendamos sua
linguagem”(...) ‘O que os nomes da
linguagem designam deve ser
indestrutível: pois deve-se poder descrever
o estado no qual tudo que é destrutível
está destruído. E haverá palavras nessa
descrição; e o que a elas corresponde não
deve então estar destruído, senão as
palavras não teriam significado’. Não
devo cortar o galho no qual estou
sentado” (Wittgenstein, 1979:34;
1987:218).
O fato fundamental para o autor é que quando fixamos
regras, as coisas não se passam como havíamos suposto.
Que portanto nos aprisionamos, por assim dizer, em
nossas próprias regras. Este aprisionamento é o que
queremos compreender, isto é, aquilo de que queremos
ter uma “visão panorâmica”, no sentido de que uma
fonte principal de nossa incompreensão é que não temos
uma visão panorâmica do uso de nossas palavras. - A
representação panorâmica permite a compreensão, que
consiste justamente em “ver as conexões”. Daí a
importância de encontrar e inventar articulações
intermediárias.
Para Wittgenstein temos um conceito daquilo que é
uma proposição tanto quanto um conceito que
entendemos por “jogo”. Se interrogado sobre o que é
uma proposição daremos exemplos e, entre esses,
também aquilo que se poderia chamar séries indutivas
de proposições; deste modo, temos um conceito de
proposição1 8. Os pensamentos não são entidades mentais
ou abstratas, mas sim proposições, sentenças que foram
projetadas sobre a realidade, podendo, portanto, ser
completamente expressas na linguagem. A filosofia
traça, certamente, limites para o pensamento,
estabelecendo os limites da expressão lingüística do
pensamento; delineia as regras que subjazem à
representação simbólica. Tais regras explicam também
a natureza da lógica.
A indicação da proposição “isto está assim” como forma
geral da proposição é idêntica à explicação: uma proposição
é tudo que pode ser verdadeiro ou falso. Pois, em vez de “isto
está...”, teria podido dizer: “isto e aquilo é verdadeiro”.
(Mas também: “isto e aquilo é falso). Mas temos
‘p’ é verdadeiro = p
‘p’ é falso= não-p
E dizer que uma proposição é tudo aquilo que possa ser
verdadeiro ou falso leva a dizer: chamamos de uma
proposição aquilo a que aplicamos o cálculo das funções
de verdade em nossa linguagem.
“Parece, então, que a elucidação -
proposição é aquilo que pode ser
verdadeiro ou falso - determina o que
é uma proposição, na medida em que
digo: o que se ajusta ao conceito
‘verdadeiro’, ou, aquilo a que o
conceito ‘verdadeiro’ se ajusta, isto é
uma proposição. É como se tivéssemos
um conceito de verdadeiro e falso, com
o auxílio dos quais podemos
determinar o que é uma proposição e
o que não é. O que se engrena no
conceito de verdade (como numa roda
dentada) é uma proposição”
(Wittgenstein, 1979:59; 1987:
267).
Admitimos assim, que os jogos de linguagem de
Wittgenstein possuem métodos próprios de
justificação. Concordamos que as palavras têm
sentido e podem ser usadas apenas como parte de
um jogo de linguagem. Dessa forma o que fica claro
é que as categorias língua, como os imperativos, os
comandos, e assim por diante, são diferentes em jogos
de linguagem diversos. Um comando aceitável, por
exemplo, em determinado jogo de linguagem, pode
ser uma palavra ou um enunciado elíptico inaceitável
em outra linguagem. O jogo de linguagem determina
categoria e significado de uma palavra, sendo que,
se esse contexto for ignorado, os erros tendem a se
manifestar.
Para ele os múltiplos aspectos da linguagem não
podem ser organizados para compor uma teoria no
sentido estrito do termo, todavia uma teoria geral
pode ser vislumbrada em seus últimos escritos ainda
que enformada de observações e intuições acerca da
linguagem. Ainda que não tenhamos explorado nesse
pequeno texto introdutório a exemplificação
wittigensteiniana do jogo de xadrez, inferimos deste
exemplo, no sentido pragmático(ainda que
detestemos utilizar esta expressão), como a analogia
possível para a explicação de suas concepções. Isto
porque neste jogo não se interrogas o “por que” no
sentido filosófico como é possível depreender na
acepção desenvolvida pelo autor no uso ou prática
da palavra. O exame que Wittgenstein faz da
compreensão sugere que quando denominamos
apenas um emprego da palavra, apenas começamos
a compreendê-la, o que não é ainda o bastante para
a arte de escrever.