| Usar o véu é uma obrigação no Islã Foto: Reuters |
Os muçulmanos reclamam que a lei foi feita por sua causa e é discriminatória. Esta foi a primeira votação do projeto, que deverá passar pelo Senado e então voltará à Assembléia Nacional para aprovação final, em meados de março.
O ministro da Educação Luc Ferry disse que "um imenso aumento do racismo e do anti-semitismo" vinha ocorrendo nos últimos três anos e que a proibição faria com que as salas de aula não ficassem divididas em "comunidades religiosas militantes".
Decisão irrita islamitas
A aprovação suscitou a indignação dos islamitas, que avisaram que a lei manchará a imagem da França. O número dois da poderosa congregação dos Irmãos Muçulmanos, Mohammed Habib, afirma que a aprovação desta lei "terá conseqüências negativas sobre a atitude dos povos árabes e muçulmanos com relação à França e ao governo francês". "Teríamos preferido que o Parlamento francês não aprovasse esta lei, e que o governo respeitasse os sentimentos dos árabes e dos muçulmanos, já que usar o véu é uma obrigação no Islã", declarou Habib.
A aprovação suscitou a indignação dos islamitas, que avisaram que a lei manchará a imagem da França. O número dois da poderosa congregação dos Irmãos Muçulmanos, Mohammed Habib, afirma que a aprovação desta lei "terá conseqüências negativas sobre a atitude dos povos árabes e muçulmanos com relação à França e ao governo francês". "Teríamos preferido que o Parlamento francês não aprovasse esta lei, e que o governo respeitasse os sentimentos dos árabes e dos muçulmanos, já que usar o véu é uma obrigação no Islã", declarou Habib.
Ele destaca no entanto que a França era apreciada no mundo árabe "por suas posições políticas, principalmente sobre a causa palestina".
Os estudantes islamitas da Universidade de Alexandria avisaram que "a imagem da França ficará muito alterada se o governo aprovar a lei". Centenas de estudantes desta universidade egípcia exortaram a boicotar os produtos franceses. Uma campanha de mensagens por telefones celulares pedindo orações de solidariedade com os muçulmanos da França chegou a ser promovida por eles.
Habib criticou o grande imã de Al Azhar, o xeque Mohamed Sayyed Tantaui, a máxima autoridade do islã sunita, que declarou compreender a posição francesa sobre este assunto. O xeque Tantaui "avalizou a posição francesa, e se mostrou mais papista que o Papa por motivos políticos", acusou Habib, cuja organização é considerada como a principal força de oposição no Egito. "O véu constitui uma obrigação que nenhum muçulmano tem o direito de modificar", lembrou.
Tantaui, que afirmou que a França tem o direito de promulgar as leis que desejar no seu território, incentivou os muçulmanos deste país a aceitarem os textos em vigor. O xeque também lembrou que as muçulmanas que vivem em país muçulmano não podiam se desvincular da "obrigação religiosa" de usar o véu.
A posição conciliadora do xeque Tantaui, expressada no fim do mês de dezembro durante a visita ao Cairo do ministro francês do Interior, Nicolas Sarkozy, foi muito criticada por outros imãs do mundo árabe e muçulmano.
O grande mufti da Arábia Saudita, o xeque Abdel Aziz Al Cheikh, anunciou em 27 de janeiro sua oposição à lei francesa, que considerou como uma violação dos direitos humanos. "O fato de se intrometer no assunto do véu das muçulmanas constitui uma violação de um dos direitos humanos que a França alega defender", acusou o saudita, máxima autoridade religiosa de seu país.
O mufti da Síria, o xeque Ahmad Kaftaro, escreveu em dezembro passado ao presidente da França, Jacques Chirac, para solicitar que reconsiderasse sua decisão. "A nação muçulmana enxerga o véu como um dos fundamentos de sua religião", justificou. Por sua vez, o mufti sunita do Líbano, o xeque Mohammad Rachid Qabbani, foi ainda mais longe, considerando que a lei simboliza "um ódio pelo islã".
Redação Terra
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