segunda-feira, 12 de março de 2012

Cristo despejado



Cristo despejado

HÉLIO SCHWARTSMAN

SÃO PAULO - O assunto é menor, mas tem elevado valor simbólico. Nesta semana, a Justiça gaúcha determinou a retirada dos crucifixos de todas as suas dependências. Como bom ateu, sou favorável à medida. Entendo, porém, que alguns cristãos se sintam frustrados. Vou tentar mostrar que a laicidade do Estado interessa mais a eles do que a mim.
Um dos argumentos mais populares entre os defensores da permanência da cruz é o de que a maioria da população é cristã. Bem, a maior parte dos brasileiros também é flamenguista ou corintiana. A ninguém, contudo, ocorreria ornar os tribunais com bandeiras e flâmulas desses clubes. Maiorias não bastam para definir a decoração de paredes públicas.
De resto, nem todos os cristãos são entusiastas do crucifixo. Algumas denominações protestantes o consideram um caso acabado de idolatria, pecado cuja prática meus ancestrais judeus costumavam punir com o apedrejamento até a morte.
A vontade da maior parte dos cidadãos é, por certo, um elemento importante da democracia, mas não é absoluto nem incondicional. Um país só é democrático quando defende suas minorias da tirania das massas.
E o direito de todos a espaços públicos livres de proselitismo religioso deveria ser autoevidente. Ao contrário do que muitos podem pensar, isso importa mais para o crente membro de grupo ou seita minoritários do que para ateus e agnósticos.
Nós que não acreditamos num ser superior ou que julgam essa uma questão indecidível, tendemos a considerar imagens religiosas como uma manifestação supersticiosa, uma excentricidade, no máximo. Já um judeu ou muçulmano praticantes podem ver na figura do Cristo crucificado um símbolo de opressão e morte. Não se pode dizer que não tenham razões históricas para pensar assim.
Exceto para os apreciadores de teocracias de partido único, a laicidade do Estado é a melhor garantia da liberdade religiosa

5 comentários:

  1. Trata-se de prédios públicos, onde todos devem se sentir bem estando ali. a presença de símbolos religiosos é neutro para uma grande maioria e constrange a outra parte. A ausência, pelo contrario, não constrange ninguém.

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  2. São prédios públicos que são frequentados não so por pessoas católicas mas tambem por pessoas de outras religiões, se nesses prédios tem um símbolo da igreja católica então deveria ter um símbolo de todas as religiões.

    Eduarda

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  3. Em síntese, como vivemos num Estado Laico, não há necessidade de haver símbolos de quaisquer religiões nos prédios públicos. Fé nós sentimos, agimos conforme vivemos na fé, não precisamos necessariamente de símbolos para fazê-los presentes em nossas vidas.

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    1. Assim como este exemplo, ainda há muita coisa para se adequar. Como futuros profissionais do direito devemos primar pela implantação de um direito autentico e uma Justiça realmente justa.

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